Dar colinho ou não dar, eis a questão

Se há frase que me deixa exaurida, é esta! Habituaste-a ao colo...

Em primeiro lugar, alguém que me esclareça o que é que as pessoas querem dizer com isso ao certo. É que se entendem por habituação, carregá-la durante meses no meu ventre, dar-lhe colo quando chora ou quando a quero adormecer... desculpem, mas ainda assim vou ter que discordar. Faz parte da natureza humana. Quantos de nós, já adultos, recorre ao "colo" da mãe quando algo corre mal na nossa vida, quando as intempéries nos fazem vacilar?

Quando alguém comenta "habituaste-a ao colo", sinto a conotação negativa que lhe imputem, como se dar colo e miminho fosse mau. Relembro que estamos a falar de um ser com dias ou meses de vida, que está agora a enfrentar uma realidade desconhecida e cujas as únicas referências que tem são 1) terem estado protegidos na barriga da mãe, que os carregava para todo o lado; 2) terem sido pegados ao colo assim que nasceram e passados de braços em braços até chegarem aos pais; 3) terem andado de colo em colo dos familiares, que nessa altura não se preocuparam com a habituação.


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Os hábitos são criados por um padrão de repetição de determinado comportamento. Ora, isso pressupõe que adormeço sempre a bebé no colo. Contudo, a minha menina adormece das seguintes formas:

- no colo, embalada
- no colo, quieta
- deitada na cama com a mão de um dos pais como companhia
- deitada no sofá apenas embrulhada no cobertor
- no baby wrap (babywearing), enquanto faço as lides domésticas
- no ovo, no carro
- na espreguiçadeira
- na alcofa

Portanto, quando me dizem que a habituei ao colo, baseiam-se em que frequência de repetição? Que estudo lhes permitiu concluir que o meu método está viciado? Sem dúvida que a quantidade de vezes que anda no colo é superior às restantes formas de a levar até ao mundo dos sonhos, mas isso quer dizer que foi assim que criou um hábito? Ninguém passa tanto tempo com ela como eu, logo as estratégias de sono são motivadas pelo meu cansaço, pela luta dela contra o sono e pelo desconforto que ela demonstre.

Mais, quando o bebé chora, é suposto ignorar? Todos sabemos que a forma de comunicar do bebé é o choro, seja por que motivo for. No entanto, segundo os 'especialistas leigos', eu deveria deixá-la chorar até se calar (deve ser para abrir os pulmões, como dizia a outra). 

Quando me dizem "Habituaste-a ao colo..." e a frase fica suspensa, sem mais, fico com a sensação que a continuação seria "agora desenmerda-te. Não fazes mais que a tua obrigação". É deselegante... 

O colinho é bom para mãe e bebé. O bebé precisa de conforto segurança e aquele é o seu porto de abrigo. Li muitas vezes que até ao primeiro ano de vida, os maiores medos dos bebés são 1. ficar sozinhos/medo da separação; 2. ruídos fortes e inesperados; 3. quedas. [Não encontrei bases cientificas que comprovassem isso, mas empiricamente, posso afirmar que concordo com esses medos (porventura, outros existirão, que desconheço).] Por isso, o deixar chorar até ele se acalmar não é, para mim, uma boa prática. O bebé apenas aprenderá que chorar não adianta, e isso não é o mesmo que superar o suposto hábito do colo.
Em contrapartida, a mãe tem necessidade de colmatar o buraco emocional que o parto trouxe consigo. Afinal de contas, onde antes batiam 2 corações, agora não bate nenhum - ser mãe é ter o coração a bater fora do peito.

Portanto, sou a favor do colo e, se há dias em que gostava que ela ficasse entretida sozinha por umas horas, sem pedir colo, há também os dias em que ela adormece por si no sofá (como agora), bem aqui do meu lado, e eu penso: queria ter-lhe dado colinho. 💓

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