2 de janeiro de 2017

Politicamente (in)correto

Ao que parece, agora, temos de ser cautelosos naquilo que dizemos para não ferir suscetibilidades.
Somos todos de vidro e não podemos ouvir verdades!

Ridículo...

Tenho ouvido diversas vezes que sou rude, perco trabalhos na noite por causa disso (sim, trabalhos em discoteca e afins, porque nos trabalhos a sério, as pessoas também falam a sério e não se importam com paninhos quentes) e já me disseram que foram maltratados só porque levaram recado.

http://bit.ly/2hQztD9


Estamos na era do politicamente (in)correto, em que fingimos ser uma coisa e dizemos o contrário do que queremos na verdade dizer. Tudo para agradar aos demais! As amigas fazem declarações no facebook e falam mal na ausência da pessoa em questão, os empregados desgostam do que são mandados fazer, mas não reivindicam, dizem-nos coisas que nos magoam e nós vamos para casa auto-flagelar-nos.

Valham-nos os empregados de café que nos servem contrariados, sem um sorriso e ainda olham com desdém se tentámos ser simpáticos. O meu primeiro trabalho foi como empregada de mesa (e o segundo, o terceiro etc) e jamais servi alguém sendo mal educada. Não temos que fazer fretes, mas temos que nos adaptar ao tipo de serviço em que estamos. Aqui, pecam os clientes que nada dizem. 

http://bit.ly/2ikPGUG


Há uns tempos recusei ouvir uma história que tinha sido precedida de uma discussão. Um tema sem interesse, cujas intervenientes estavam bêbedas e nenhuma tinha razão. Recusei de forma simples. Uma, duas, três vezes. À quarta o meu tom de voz foi incisivo e rematei com um argumento que resumia o tema. Fui crucificada! 
Se fosse algo de vida ou morte, se fosse uma amiga minha, se eu tivesse sido testemunha, faria sentido que me pedissem opinião. De resto, não faço fretes. Nem aceno com a cabeça e finjo que estou a ouvir. 

As palavras ferem, é certo e eu não defendo que as coisas sejam ditas de forma gratuita. Não vamos sair por aí a insultar as pessoas só porque não gostámos delas ou não vamos com a cara delas. As coisas têm de ser ponderadas, obviamente. Todavia, agora que temos liberdade de expressão, que tanto nos custou a ganhar, vamos andar a fazer fretes só porque não sabemos dizer não? Ou porque queremos que as pessoas nos aceitem, mesmo que seja à força de uma imagem que não corresponde à nossa?

Amigos verdadeiros zangam-se, ficam sem falar, dizem coisas menos boas, mas sempre com as melhores das intenções e depois volta tudo ao normal. Por isso, digam o que têm que dizer.
Os outros, são os outros e se não trazem nada de novo à tua vida, então não tens que ser palermamente correto para agradar.








Sem comentários:

Enviar um comentário

Read, comment, repeat!