26 de dezembro de 2016

Bipolaridade Natalícia

Quando somos pequeninos o Natal é um momento mágico, cheio de surpresas, mesa cheia, família reunida, muitos presentes para desembrulhar. Orgulho-me de dizer que tive noites de natal lindas, cheias de amor, com cheirinho a canela, rabanadas e leite creme da minha avó, o melhor leite creme que alguma vez comi.

Hoje em dia, o Natal é triste. É um tremendo esforço em tornar a noite animada para o meu pequeno amor de 9 anos e animar o meu círculo mais próximo, aquele que foi durante anos o meu agregado familiar.

Quando era eu quem tinha 9 anos, quer passasse o Natal com a minha mãe ou com o meu pai, tudo era fantástico. Reuniamo-nos em casa de alguém, as pessoas cantavam, assistiam a filmes, comiamos até não conseguir respirar mais, e quando havia espaço para inspirar e expirar novamente, também era sinal que já dava para comer mais uma fatia de bolo rei. 

Hoje em dia, as pessoas estão mais velhas, com menos paciência, com menos dinheiro para gastar e por mais opções que eu tenha, decido sempre passar no mesmo sítio, com a consequência de ter um jantar de 10 minutos, uma corrida apressada à mesa dos bolos e a entrega da prenda ao meu avô, que é mais rápido que o Obikwelo na hora de se ir deitar.


Durante anos fui fazendo memórias únicas e bestiais, de momentos de partilha polvilhados a canela, açúcar, dedicação e animação.


Hoje em dia, essas memórias só causam dor, porque nada é como era antes. O farrapo velho já não tem sabor, as pessoas querem se ir deitar o mais rápido possível, a música foi substituída por discussões, o importante é despachar a consoada antes das 22 horas, a minha avó já não faz leite creme como antigamente, os sonhos são comprados na confeitaria já nem a minha tia manda as rabanadas de vinho doce como antes. 

Eu adoro o Natal, mas eu odeio tanto o Natal!




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