9 de maio de 2014

Olhar com olhos de ver o amor verdadeiro


Todos os dias contemplo a essência do verdadeiro amor...

Vejo-a acordar bem cedo, para poder estar pronta à hora do marido de se levantar. Vejo-a cuidar de si como uma jovem que procura agradar ao mais recente namorado e vejo-a, com um grande sorriso, dizer "Bom dia meu amor! Dormiste bem? Pareceste-me sobressaltado durante noite". 
Espantoso: quase tão idosa quanto ele e ainda assim não deixa de o vigiar...

Todos os dias vejo aquilo que parece já não existir: amor, dedicação altruísta, paciência e pureza!

Paciência para os seus delírios e casmurrices. 
Dedicação a tempo inteiro, desde a preparação do pequeno-almoço, em que pacientemente desfaz os comprimidos com uma colher, pedacinho por pedacinho, até ao chá antes de deitar, em que fica ternamente a contemplá-lo, comer desastrosamente as bolachas embebidas naquela bebida quente. 
Altruísmo em bruto: toda ela só vive para ele e para o deixar confortável. 
Pureza em todos os seus atos, afinal não há nada que ela possa esperar dele nesta fase da vida. Na verdade, ela só espera que ele não a abandone cedo, que não a deixe a padecer na dor da perda. 
E amor! Tanto amor, daquele verdadeiro, daquele raro, daquele sem descrição. Amor, sim! Porque só o amor verdadeiro poderia aguentar uma cruz tão pesada e só amor de verdade consegue ver além da medicina e do que é cientificamente justificável. Só quem ama justifica os delírios como confusão momentária ou brincadeiras do conjuguê. E leva a sério as barbarides que diz, as trocas do nome próprio e os insultos, muitas vezes pronunciados sem noção. 



Mas melhor que tudo, é que esse amor é recíproco... E puro e verdadeiro e genuíno. Porque, mesmo sofrendo de demência degenerativa, ele nunca esquece que aquela mulher de olhar doce é a SUA MULHER, a quem jurou mil e uma coisas no dia do casamento. E não falhou! Nunca, nem sequer em brincadeiras, ele diz que a troca, que casa com outra ou que a deixa. Sempre lhe pede um beijo, um abraço, um miminho... Sempre lhe diz que a adora, que a quer, que ela é a sua salvação e o seu porto de abrigo.

Todos os dias, de coração cheio e quente, vejo-o bocadinho a bocadinho, superar a demência, quando cientificamente, seria essa maldita a superá-lo pelo seu carácter degenerativo.

Todos os dias, testemunho, que ainda há esperança e que o amor eterno afinal ultrapassa os seis meses. 

Depois de tudo isto, como posso eu não acreditar no amor?

Muah*



6 comentários:

  1. Oooohhhh :)
    Que texto bonito, Srª Dona Magda!

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  2. Este post seria 1000x melhor se a publicidade não estivesse e cima de parte do texto...loool

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  3. Concordo com a Jedi, teve ai uma parte do texto que não consegui ler :(

    Bjxxx

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    Respostas
    1. Teresa, é O Jedi , embora acredite que também ajam mulheres Jedi...lol

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  4. Gostei do texto :)
    Beijinhos
    http://retromaggie.blogspot.pt/

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