21 de abril de 2014

A imigração rouba almas

A imigração rouba sonhos aos licenciados, rouba licenciados ao país e rouba o país de um futuro económico sustentável, repleto de licenciados que se tornarão, se já não o são, bons profissionais.

Todos os meses, centenas de recém-licenciados saiem do país à procura de uma oportunidade na sua área profissional e de um lugar onde possam demonstrar os seus conhecimentos e desenvolver competências. Fogem das vagas como caixa de um supermercado ou das lojas de roupa que tem contratos mal definidos, como o diabo foge da cruz!



Mas pior que roubar sonhos, profissionais, competência e satisfação pessoal, pior do que roubar filhos aos pais e futuros pais a Portugal, roubar irmãos, netos e amigos..a imigração rouba almas...
Desconfio que por detrás de todas aquelas fotos na Tower Bridge e ao lado do Big Ben, na O'Connell street, com a Torre Eiffel como pano de fundo ou com as inúmeras telas que servem de apoio à identificação do país que os acolheu, está apenas uma tentativa de mostrar que estão felizes. Longe dos país, da comida caseira, das atividades banais que em Portugal existem em todo e qualquer lugar e que no estrangeiro não. Lá fora, tudo difere em larga escala...



Eu também vivi no estrangeiro e também tirei essas fotos. Eu também me sentei no Temple Bar, nos Giant's Causeway, junto da Spire of Dublin. Também quis mostrar que estava feliz... A diferença é que verdadeiramente estava! E com certeza muitos sê-lo-ão. No entanto, há outros tantos que têm a mágoa de ter que deixar terras lusitanas, depois de uns curtos quinze dias de férias, em busca de qualidade de vida, trabalho, dinheiro, enfim, um futuro!

Mas digo e repito que a imigração rouba almas...quem vai, já não volta igual. É triste, amargurado... 


Foi assim que perdi uma amiga, foi assim que ela perdeu a sua essência. Já não a reconheço, já não me identifico. Uma nova personalidade surgiu e eu não sei como lidar com ela. Não por falta de tentativas, mas pela barreira criada, a imoralidade, o orgulho.

É de um grande vazio e tristeza. Pergunto-me: será que valeu o sacrifício? Encher os bolsos e esvaziar a alma?




muah*




3 comentários:

  1. Essa reflexão que deixas na última frase, é a questão que (me) coloco sempre que envio um CV para fora. :/

    P.S: Continuo intrigado com a história da tábua de cozinha! Ahah

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  2. Não podia concordar mais contigo. Eu também já vivi fora mas continuo a mesma ou, pelo menos, tenho os olhos mais abertos. Mas confesso, a vontade de voltar a sair é muita e pode custar a mim e aos outros, mas se tiver de ser, vou. Não sou muito de deixar de fazer as coisas porque posso vir a ter saudades disto ou daquilo. Estive apenas 5 meses fora e confesso terem sido poucos os dias em que tive saudades da minha cidade, da minha casa, da minha família. Talvez eu seja assim. Despego-me facilmente. Gosto dele e houve dias que chorei de saudades mas encarava tudo como uma passagem e uma pessoa não pode estar sempre a pensar nos de cá porque assim também não conseguimos fazer vida lá.

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  3. Gostei das tuas palavras mas é verdade deixar a nossa terra, família e amigos deixa sempre aquela magoa de saudade. Em relação as amizades as que são verdadeiras permanecem mesmo apesar de estar longe. Mas hoje em dia as coisas são assim.
    Beijinhos

    http://retromaggie.blogspot.pt/

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