2 de abril de 2014

A enganar estagiários, assim leva a vida!


Hoje cheguei ao limite e, por isso, decidi dar a conhecer o lado triste de quem procura emprego e ainda sai prejudicado. Custa-me admitir que fui burra ao ponto de cair no conto do vigário, mas assim, ao menos, alerto as pessoas para situações semelhantes.

Já lá vão cerca de 8 meses desde que fui a uma entrevista para estágio profissional num jornal local portuense. Pensei que era uma grande oportunidade para desenvolver capacidades, ainda que não fosse um jornal muito conhecido, e cheguei a sonhar (quanta parvoíce!) que conseguiria colocá-lo nas bocas do mundo - quer dizer, pelo menos na cidade do Porto.

O meu primeiro erro foi esse, pensar que era uma grande oportunidade que não poderia largar e que eu era a aprendiz. Aceitei as condições todas que me foram propostas, pois tinha receio de perder o lugar. Isto porque, os responsáveis do jornal fizeram um jogo psicológico em que volta e meia me diziam que ainda estavam indecisos com outro candidato que parecia ter mais experiência e capacidade de trabalhar sobre stress. 

Então, EU trabalhava em MINHA casa, com o MEU portátil, com a MINHA internet, usava o MEU carro, o MEU dinheiro para pagar as despesas de combustível, parques de estacionamento e alimentação e o MEU telemóvel. 

Fiz um jornal mensal inteiro numa semana, semana essa que deveria ter sido de adaptação e orientação, mas que foi a minha 'prova de fogo', como me disseram. O diretor disse que me daria algum dinheiro para as despesas dessa semana. Porque a partir de setembro já estaria ao abrigo da legislação do IEFP e receberia normalmente. 

Em setembro e alegando que eu tinha falhado em inúmeros aspetos no jornal que desenvolvi, voltou a 'deixar-me à experiência'. Ao dinheiro da semana anterior ainda nem tinha sentido o cheiro e já estava ele a oferecer-me mais um mês apenas com 'ajudas de custo'. Insisti para que tratasse dos documentos no IEFP, porque era um processo moroso e perante tanta insistência, esse senhor disse que o faria.

Mais um mês passou, mais um jornal estava redigido e...nada!! A pressão era enorme e as entrevistas pedidas não tinham fim. Friso que não fazia apenas trabalho de campo (entrevistas, reportagens, fotografia), mas também tratamento de imagem e a estrutura final do jornal no programa InDesign. 

Decidi desistir. Todos me acusaram de ser fraca. Aceito a crítica, mas só depois de alguém passar pelo que passei. Aquele senhor ligava-me dia e noite e fazia reuniões em cafés e shopppings. A primeira reunião que tive, para conhecer o jornal, teve a duração de 6 horas e foi metade num café e a outra metade no Dolce Vita até às 2h da manhã. O jornal não tem sede, não tem uma estrutura física de trabalho, a morada fiscal não corresponde a lado algum, os pontos de venda afinal não vendem aquele jornal...

E como se tudo isto não bastasse, ainda teve a distinta lata de publicar na edição seguinte à minha saída uma errata em que dava a entender que ele é que me tinha demitido e que eu tinha cometido erros nas entrevistas. MAIS, teve a coragem de me ligar hoje a pedir uma declaração completamente inapropriada e a insinuar que sou irresponsável e que tal como os jovens de hoje em dia, vivo de facilitismos. EX.MO SENHOR, trabalhar 10 horas por dia, tratar dos problemas de família, fazer dois cursos e ainda sair em reportagem só pelo prazer da escrita não é FACILITISMO! Facilitismo é colocar recém-licenciados a trabalhar à borla para si e para o seu jornal e ainda fazê-los usar os seus meios próprios. 


Ahhhh...já mencionei que acabei este mês de pagar a conta da vodafone de 500€ que contraí à custa do seu jornal?

O mais curioso foi a semana passada ter recebido uma carta do IEFP para me apresentar amanhã numa entrevista para este mesmo jornal...mais surpreendente ainda e que deixou o funcionário do centro de emprego do Porto de boca aberta, é que eu sou de GONDOMAR, logo não deveria receber uma carta desta instituição do Porto. Porque será que aconteceu?

Não quero, de forma alguma, denegrir a imagem deste distinto jornal, cujo a situação que se passou comigo, se repetiu com novos estagiários, por isso não o vou identificar como sendo o JORNAL VERIS.






4 comentários:

  1. Este era mais caso para o Ganhem Vergonha.
    Facilitismos, até dá vontade de rir.
    Assim quase que nem dá vontade de continuar a procurar empregos decentes. É mais fácil encontrar uma agulha num palheiro!

    *

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    1. O problema é que anda tudo a fazer o mesmo, a explorar quem precisa de trabalhar. Os meus 'facilitismos' andam-me é a dificultar a vida.

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  2. Infelismente também tive um problema parecido com um pseudo estágio profissional...
    É uma vergonha! Mas não desista, tu vais consegui!

    Bjxxx

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  3. Eu também estou na área de jornalismo e conheço imensos casos parecidos. é uma vergonha o que as pessoas fazem com as necessidades dos outros. Isto é gozar com o trabalho dos outros! Uma simples vergonha!

    http://ummarderecordacoes.blogs.sapo.pt/

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